ALÉM DO DETERMINISMO: A FENOMENOLOGIA DA EXISTÊNCIA FEMININA AFRICANA

ALÉM DO DETERMINISMO: A FENOMENOLOGIA DA EXISTÊNCIA FEMININA AFRICANA

Os feminismos Africanos exigem uma descrição teórica incorporada nas diferenças de
gênero que são fundamentadas nas complexas realidades das experiências cotidianas das
mulheres Africanas. Esta teoria deve especificar e analisar como as nossas vidas se cruzam com
uma pluralidade de formações de poder, encontros históricos e bloqueios que moldam nossas
experiências através do tempo e do espaço. Esta teoria também deve reconhecer a concreta
especificidade da experiência de gênero individual e como isso se conecta, e é diferente das
outras experiências. Precisamos de uma estrutura que nos possibilite examinar o que significa
ser o que somos, e que ao mesmo tempo nos encoraja a perceber o que queremos nos tornar.
Estas exigências irão fornecer os meios de teorizar as mudanças de modalidades de existências
das mulheres Africanas, assim como reconhecer as diferentes tradições e culturas que ligam as
mulheres Africanas contemporâneas a outras mulheres em outros tempos e em outros lugares.
A partir desta perspectiva, “cultura” e “tradição” podem ser vistas como um projeto inacabado
que está continuamente sendo transformado pelos agentes culturais. Deste modo, seremos
capazes de nos afastar de proposições deterministas, oposições cartesianas e noções redutivas
de excepcionalismo Africano.
Como uma teoria que evita fazer afirmações absolutas sobre o mundo e as relações
socais anteriores à sua investigação, a fenomenologia existencial reúne muitos dos requisitos
para uma compreensão teórica da existência feminina Africana. Mas sua ênfase em uma teoria
situada e incorporada de conhecimento e experiência, juntamente com a sua rejeição de
dualismos, incluindo o privilégio do mental sobre o físico, sujeito sobre o objeto, e cultura sobre
a natureza, faz com que seja útil para entender como subjetividades sociais particulares são
construídas, bem como para compreender as possibilidades libertadoras de existência.
Porque a fenomenologia é uma filosofia dos começos, quero voltar para algumas das
perguntas que Simone de Beauvoir coloca nas páginas iniciais de seu trabalho seminal, O Segundo
Sexo. Ela pergunta: “O que é uma mulher?” e “Como tornar-se uma?”. Aqui, não pretendo

1 Bibi Bakare-Yusuf é uma intelectual independente. Os seus interesses de investigação concentram-se sobre
gênero, as expressões culturais da juventude no mundo Africano, estudos culturais, teoria feminista e política. Phd
em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres e Gênero na University of Warwick.
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repetir as respostas de Beauvoir a estas perguntas, ou lidar com os defeitos em seus argumentos
(ver Heinamma, 1996; Moi, 1992; Mackenzie, 1986). Em vez disso, reformulo as perguntas que
ela coloca à luz das experiências Africanas, com vistas a investigar os significados de corpos
sexualmente diferenciados e esclarecer como a “incorporação” produz e afeta a nossa
experiência do mundo. Estou ciente que alguns têm argumentado que o atual interesse sobre de
Beauvoir é injustificado e tem pouca relevância para as mulheres Africanas (ver Arnfred, 2002).
Contudo, a filosofia existencial de Beauvoir sobre mulheres incorporadas, situando as
experiências das mulheres é mais relevante agora do que nunca, dadas as enormes mudanças
sociais e fluidez cultural que caracterizam as sociedades Africanas. Retornar às questões de
Beauvoir, não significa fechar-se em um humanismo acrítico, essencialista metafísico ou
universal, ao invés disso, envolve a compreensão, articulando formas complexas em que as
mulheres Africanas foram subjugadas e têm se esforçado para descobrir novas identidades e
modos de existência viáveis.
Antes de investigar como a fenomenologia pode fornecer uma alternativa para
descrições existentes, traço uma crítica de alguns dos modos pelos quais Africanas e teóricas
Africanistas analisaram as identidades das mulheres. Ao longo dos últimos vinte anos, uma
variedade de abordagens tem procurado tratar das implicações políticas da diferença de sexo na
África. Para simplificar, vou distinguir entre as abordagens que chamam a atenção para as
diferenças hierárquicas entre homens e mulheres e aquelas que tencionam a sua equivalência
social e status complementar. No caso do primeiro, as mulheres Africanas às vezes são vistas
como definidas apenas pelo domínio de sujeitos do sexo masculino em sistemas patriarcais. Em
contraste, as teóricas que argumentam que as posições dos homens e mulheres são desafios
complementares à relevância do conceito de “patriarcado” em contextos Africanos, e tencionam
que homens e mulheres têm diferentes, mas iguais experiências.

veja o texto completo no link abaixo

http://filosofia-africana.weebly.com/uploads/1/3/2/1/13213792/bibi_bakare-yusuf_-_al%C3%A9m_do_determinismo._a_fenomenologia_da_exist%C3%AAncia_feminina_africana.pdf

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